POESIA sempre EM LUTA http://sempreemluta.nireblog.com Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo. Sat, 30 Aug 2008 19:34:44 +0100 POESIA sempre EM LUTA http://sempreemluta.nireblog.com/blogs/sempreemluta/gravatar.gif http://sempreemluta.nireblog.com http://nireblog.com DE LUGAR NENHUM, UM DIA http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/04/09/de-lugar-nenhum-um-dia http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/04/09/de-lugar-nenhum-um-dia deusaaosol.bmp 

.

na tua vista a minha espelhada

horizonte sem brisas flor do dia

surgida da noite como rio silencioso

por entre nuvens negadas à melodia

 .

no tombadilho ressoam turbilhões

contam-se contos escondem-se fadas

lendas antigas à flor-da-pele

memórias de metáforas desalinhadas

 .

na tua vista a minha vista espelhada

pousa esta paixão sem altares  ou portos

na pele do desejo com algemas de lua

por entre horas atadas em beijos loucos

 .

um dia sei que os voos de longe

vão no meu sonho ficar pousados

como escravos entre escombros

nas prisões dos calendários apagados

 .

sem receio dos cânticos das sereias

vozes trazem-te como das fadas o gosto  

nesta invenção de um pôr-de-sol só meu

que jamais se espelhará em teu rosto.

 


9|ABRIL|2008 

 .

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Wed, 09 Apr 2008 17:58:54 +0100
PARA QUEM ME VISITA (e já são mais de 8.300...), ME INCENTIVA, COMENTA E ME CONTACTA: http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/04/06/para-quem-me-visita-e-ja-sao-mais-de-8300-me-incentiva-comenta-e-me-contacta http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/04/06/para-quem-me-visita-e-ja-sao-mais-de-8300-me-incentiva-comenta-e-me-contacta abraco048rt6.gif

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Sun, 06 Apr 2008 16:39:14 +0100
TUDO O MAIS É PREVISÍVEL http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/04/03/tudo-o-mais-e-previsivel http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/04/03/tudo-o-mais-e-previsivel monges.jpg

Trazem nos olhos as revoltas dos países colonizados

pólem salgado de palavras invulgares, salientes, 

reduzidas ao silêncio pelos negros tanques uníssonos,

agitadas na perturbação que desfila de vestes vermelhas,

quilómetros de medos explodindo nos protestos,

numa resistência heróica que sai à rua e denúncia.


 

Sacrifício em nome de ideais e nós calados, silêncios,

fechamos o mundo e ninguém quer ver e sentir, perceber,

o silêncio das minorias agitadas, punhos cerrados, razões,

mantidas na ordem pelo poder da bala, intimidação e sangue

e pelo brilho do ouro e do petróleo, apocalipse exultado,

que rasgam bandeiras e oliveiras, culturas e liberdades


 

À jorna cobramos os descampados de berços, forjados,

é lá que os desfiladeiros se apertam à passagem, sequestrados,

sem relatos e sem vítimas formais, tendências desviantes,

a brutalidade vive impregnada  nos instintos da violência

caixote do lixo das almas, réplicas humanas de répteis,

com a ficção transformada em desconhecida realidade.


 

Neste parágrafo interminável quem consegue conviver

pra lá da aparência das coisas que se dissolvem na morte?

FERNANDO MANUEL PEREIRA

3|Abril|2008 

 

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Thu, 03 Apr 2008 14:57:44 +0100
CANTO QUE VEM DA TERRA http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/29/canto-que-vem-da-terra http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/29/canto-que-vem-da-terra  

 sollvermelho.bmp  

1

algo novo voa rasteja sem resposta

viola o medo no meio da estrada viseja

na hora escura da vida varanda entre mundos

e um verso em branco que me escapa afugenta

o vento norte forte de cinzento acasalado

por entre vozes de crianças esfomeadas

feridas de soldados fugidos das guerras pintados

em longos beijos sem final passageiro anunciado

na assombrada pele benzida em cada poeta do mundo

  

2

nesta inválida coluna do triunfo excitação

plebeus e patrícios ajuramentados no canto voz imagem

como reza maná em bicos de aves de rapina em desfilada

reflexos de estrelas adormecidas conchas com outros mares

destruindo sinos acorrentados fecundados sem seios

nas sombras corpos vazios entre nós expelindo essências

roubando o silêncio do fogo sagrado não já eterno

passos sem vozes lamentos rasgando bandeiras pensamentos

lugares sem culto domesticados em secos silvados

 

3

para descobrir um caminho quantas letras são necessárias

neste labiríntico canto que vem da terra e é nosso?

29|MARÇO|2008

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sat, 29 Mar 2008 12:25:20 +0100
UMA VISÃO DO PARAÍSO? http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/19/uma-visao-do-paraiso http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/19/uma-visao-do-paraiso 111.bmp

 

Fita-me com olhos acordados, abertos e húmidos

como quem seja dor, minhas dores, fecundas, palpáveis

deixando-me a visão do pecado, dos sentidos, carruagens

dançando em arco na melodia, seta aguçada, dirigida

por entre copas de árvores, encostas de sangue e pele

fugazes estrelas vegetais em caminhos d’água, antigos

voando nas folhas dos ventos, odres de nuvens, museus

como quem toma de mim, para mim, correntes de seiva

felicidades e humores hesitantes, inacabados, obscuros

anjos de medos maltratados, fartos e despudorados

com gosto de sangue e tempestade, desfeita, incolor

em fruto e devaneios consensuais, conventuais e rezas

em campos de rosas secas não colhidas, como vidas retornadas.


 

Afinal, o que me fita com olhos acordados, abertos e húmidos?

 .

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Wed, 19 Mar 2008 19:42:57 +0100
Á VOLTA DESTE QUADRO http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/15/a-volta-deste-quadro http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/15/a-volta-deste-quadro

25lindo.bmp

 

.

 

espíritos sem descanso metralham florestas traídas

duas palavras sobre a guerrilha precavida previsível

escalada verbal tom de farsa imagens marcantes discursos

um habitante da aldeia na primeira fila das cadeiras

ao serviço dos mortos recupera pavimentos angústias

sem crematório o medo no parapeito feito para agradar

das janelas visíveis buracos no chão escondidos

uma carroça parada morada de exércitos envolvidos

outra geração a triplicar no som das granadas desmorona-se

 

escuto discuto o retorno religioso artistas ambulantes

do matemático orquestra a calcular entre uns e outros

o embrião do pensamento a completar o elenco

esguio e abundante incorporada ficção já se sabia ao que vinha

um colete salva-vidas sem cronologias lençóis brancos

dançam e saltam desarrumam carregantes montanhas

as esquinas de bicos onde o sol se esvai obsessões cénicas

em documentos de palavras e de obras adereços memórias

sem pensarem nos textos de amanhã um prédio nos subúrbios

 

do sonho difícil a resposta tem o outro lado da viagem

estamos a representar aldeia sem cadeiras chaminés

a água resiste à ditadura projectada mobilizada utopias

carestia de vida decorrem séculos em cartazes censurados

a voz vem do passado enfraquecida longa ausência

imortaliza ao vivo o início das novas canções silenciadas

iremos todos para o inferno podíamos fazer de alvo

pouco tempo antes de morrer pinto um auto-retrato

e para lá do retrato regressarei à hora das multidões

 

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA



(15Março2008)

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Sat, 15 Mar 2008 23:14:46 +0100
21 de MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/15/21-de-marco-dia-mundial-da-poesia http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/15/21-de-marco-dia-mundial-da-poesia

Com o objectivo primeiro de defesa da diversidade linguística, a UNESCO decidiu, em 1999, proclamar o dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia. O Plano Nacional de Leitura (Ministérios da Educação e Assuntos Parlamentares) e o Centro Cultural de Belém (Ministério da Cultura) associaram-se para assinalar a data, no ano de 2008. Excepcionalmente, e porque este ano, o dia 21 de Março é Sexta-feira Santa, vamos comemorar o DIA MUNDIAL DA POESIA no Sábado, dia 22 de Março. O programa, que se estenderá das 12h00 às 20h30, ocupando todo o piso térreo do Centro de Reuniões, inclui uma feira do livro de poesia, conferências, audição de DVD’s de poetas, uma exposição de poesia visual e culminará com um espectáculo no Grande Auditório. A entrada é livre.

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Sat, 15 Mar 2008 22:46:33 +0100
A SAUDADE, COMO UM ABRAÇO http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/12/a-saudade-como-um-abraco http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/12/a-saudade-como-um-abraco zeca3330303030.jpg

 

(para o ZECA AFONSO, Cantor e Poeta de luta, cuja voz e personalidade ainda hoje incomoda políticos e poderes)

  .  

Moramos todos neste lado da cidade

Neste segredo conhecido  feito de  gritos de guerra

Porque um rio é sempre de quem nele vive e espera

E as noites nascem clandestinas e sem idade

Vestidas de todas as peles, como lâminas cortantes

Onde floresciam medos e desejos partilhados

E a raiva se alongava pra lá dos breves instantes

Em cada instante dos teus poemas cantados

   

Naquele tempo de mordaças e de guerra

Vestíamos o horizonte de desejada liberdade

E numa silenciosa e entendida cumplicidade

Nascia do sonho nosso uma nova terra

Nada sei de canções de despedida

Continuo a ouvir-te na memória desta vida

Porque o tempo não consegue apagar a tua voz

E tu estás sempre vivo e presente entre nós!

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

 

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Wed, 12 Mar 2008 16:59:45 +0100
CANCRO POLÍTICO http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/03/cancro-politico http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/03/03/cancro-politico  cat-inhat2.jpg  .

Parasitas sem escrúpulos

parasitas ideológicos

facciosos

impostores

oportunistas.

Não lhes perdoais, Senhor.


 

Nadam na cloaca da corrupção

açaimam e subjugam

cobardolas endémicos

engravatados

sem serem engavetados

Não lhes perdoais, Senhor.


 

Conheço dois

dizem-me que há mais

anónimos

escondidos

a praga parece grande

Porque lhes perdoais, Senhor?

.

(3 Março 2008)

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

 

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Mon, 03 Mar 2008 22:33:39 +0100
NAS MARGENS DO VENTO http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/27/nas-margens-do-vento http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/27/nas-margens-do-vento
adaoeeva.bmp 
(para a Amélia, amor retribuído)
.
das coisas que eu queria ter dito
como se não bastasse dizê-las
o vento afagando as ondas
até onde se avista o mar
soprou por entre teus dedos
voos perpétuos de gaivotas
circulando pelo meu corpo
como cavalos de seda e sós
 
por mim falou e calou
deste amor reinventado
sonho a sonho descoberto
nas coisas que não te disse
porque só bastava dizê-las.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Wed, 27 Feb 2008 01:02:45 +0100
O ILHÉU DOS NAUFRAGOS http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/23/o-ilheu-dos-naufragos http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/23/o-ilheu-dos-naufragos 22lindo.bmp 

 

Sei que me esqueces porque te lembro

cada instante percorrido

neste jogo de inocência sem palavras

no silêncio duma noite desfeita

na solidão ocupada

onde um qualquer sol escondido

construía uma ilha vazia e árida

de folhas de granito intermitente

mas cheias de escuro e de vento

a pedir sul

translúcidos corriamos pelos ramos

caminhos por onde nos traziam aferrolhados

e nus

neste ilhéu de sonhos

as ondas não se desfazem

voltam rios e mares quem sabe se para sempre

soltas nas areias dum tesouro inventado

deixado à gula consentida de apaixonados

luzidio engano sem rumo certo navegando.

 

Neste sonho que um dia foi teu resto eu apenas.

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sat, 23 Feb 2008 00:38:13 +0100
MAIS DO QUE AMOR, UM POEMA http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/18/mais-do-que-amor-um-poema http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/18/mais-do-que-amor-um-poema  

 golfinhos5.bmp 

encontrar um sorriso em teu rosto desconhecido

que me recorde a luz das luas descobertas

por entre teus tímidos seios sonhados

sonho de imagem que me penetra e enleia

como o vento que afasta meus teus passos

e a vida já é ela nela se recriando

profunda como as ondas como a chuva

que me persegue me afaga e me faz débil

 

tu que sabes o que me vai por dentro

há palavras que assustam me modelam

paixão fugaz de um coração na areia desenhado

fluindo de mim em mim dilacerando

como enxurrada que adia meu grito sufocado

alastrando contigo comigo o fogo de milénios

 

um sorriso em teu rosto que me recorde

FERNANDO MANUEL PEREIRA

  

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Mon, 18 Feb 2008 23:06:28 +0100
REESCREVO ALGURES http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/18/reescrevo-algures http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/18/reescrevo-algures  

 gira.bmp

 

 

neste papel um sonho

quadrados volteando no teu retorno

postal portal neste jardim talhado

finas penugens douradas

respiração talhada nas nuvens

peregrino pergaminho envelhecido

brumas de lembranças

luta de pedras e raivas

bandeiras de sangue

erguidas com sangue e gente


 

no cimo dos montes os guerrilheiros

inventam uma manhã de liberdade


 

o meu país, poeta, continua por inventar!

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Mon, 18 Feb 2008 20:19:31 +0100
AVE CAESAR http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/18/ave-caesar http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/02/18/ave-caesar  narede.bmp

 

rompe convenções

vai ao encontro do nada

cria um palco abre a roda e manda ver

desarma defesas

tira as máscaras dos nossos quotidianos

alinha ideias

diálogos comunicações espectáculos

linguagem jovem alegorias

recriando danças

a mímica o circo, a marionete

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Mon, 18 Feb 2008 20:04:05 +0100
TÁ-SE BEM, Ó MEU http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/22/ta-se-bem-o-meu http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/22/ta-se-bem-o-meu  

 casal-por-do-sol.jpg

 

Tá-se bem, ó meu

neste canto à beira-mar

é baril bater um couro

com a garina passear

 

Neste fim de tarde

Curto uma de verão

Topo ao longe um fatela

Vou bazar, meu irmão

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Desatino na desbunda

Nesta onda de filar

 

Eu deliro, perco o juízo,

O pensamento me agita

Dá de frosques ó careta

Não pertences a esta fita

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Topa-me lá aquele cota

Que co’a minha quer dançar

 

Mas que ganda nóia

Que cena mais fatela

O cota que vejo vir

É o mangas do pai dela

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Entrem na nossa onda

Onda boa de cantar

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Entrem na nossa onda

Onda boa de cantar.

 

 441860kfx89aay0k.gif 

FERNANDO MANUEL PEREIRA 

(Letra seleccionada para o 12º FESTIVAL DA CANÇÃO INFANTO JUVENIL DE PALMELA|2008)

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Tue, 22 Jan 2008 18:03:02 +0100
UM NADA, AFINAL TUDO http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/15/um-nada-afinal-tudo http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/15/um-nada-afinal-tudo cid_003b01c7c811e1a562a0e9bc1a59903edcf437f7471.jpg 

 

 

 

 

 

UM NADA, AFINAL TUDO

      

Deixa-me cumprir o protocolo,

Gargalhar, arquivar meu fato de palavras,

Brincar de faz-de-conta nesta modorra libertina,

Neste cubo de loucura, olhos abertos a riscar sonhos,

Entre dedos regressivos, calafrios longos, subtis,

Soltos na tua respiração, entre brancas, tocadas nuvens,

Velejando nas pranchetas dos meus desenhos rasgados.

  

Momentos fugidos, fugidios, arcanos desnudados,

Nascem fugazes nos caminhos perdidos, imaginados

Como lamentações deixadas soltas à beira dum rio,

A descansar nos braços da penumbra que desagua

No regaço doido da esventrada pedra filosofal,

Memória de encantamentos na noite insólita, perene,

Como fogo que queima lentamente em cada teu olhar.

  

Recordações de um nada, quase nada, afinal tudo,

Voando afastadas das encostas modeladas que lhe deram vida,

Brincando na areia, ventre do cais urbano, em construção de renda,

Entregues ao balanço duma cidade azul recém-nascida, possuída,

Por entre fumo de sons, desavenças, presenças, fráguas longínquas,

Enquanto junto à lua a sereia embala o mar, beijando-o.

É, talvez, a sombra do teu corpo, onde me banho, a sonhar…

FERNANDO MANUEL PEREIRA

 

   

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Tue, 15 Jan 2008 23:14:22 +0100
VELHOS SONHOS http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/15/velhos-sonhos http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/15/velhos-sonhos 1sol.bmp 

 

 

VELHOS SONHOS

 ao Ricardo Cardoso,  Coucence e radialista. Amigo. 



 

1

.

Como vês este mundo

ainda não está completamente perdido

há clareiras intocadas respiradas

linhas de passagem para jangadas de nuvens

feitas de passos entre cavernas eco de gritos

alguns abraços gestos caminhos esquecidos

desbravados

um sonho tateado à beira d'um rio

.

2

.

onde as palavras ditas em tempo certo

incerto

sopram nas velas olhares distantes

perpétuos

agitam-se nos remos nos degraus

em sintonia

afastam adamastores riscos cortantes

nas margens

os filhos da puta sabem destas cumplicidades

elogios à tona em espaço de redes de malha larga

onde o absinto tece elucubrações de raízes

nos fundilhos do além

.

3

.

No desjejum da esperança o fim da noite

substitue a aurora inebria a melodia

dança

na realidade dos náufragos cúmplice atormenta

enlouquecida das suas próprias sombras

é o sentimento do mundo na despedida

se não houve frutos valeu a semente pelas flores

qualquer barulho é ensurdecedor

.

4

.

é pequena a sombra que se debruça em direcção ao sonho

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA 

.

15 Janeiro 08


 

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Tue, 15 Jan 2008 22:42:33 +0100
DO SONHO, A ESPERANÇA http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/15/do-sonho-a-esperanca http://sempreemluta.nireblog.com/post/2008/01/15/do-sonho-a-esperanca marencantado2.gif

 

 

 

Quero doar-te meu coração onde um sonho com asas de esperança

voa por entre amigos, fluindo em ondas de desejos, com olhos de sentir.

A força do amor tem magia, manhãs repletas de luz, santa aliança

onde o céu não é limite por entre sentimentos que fazem a alma sorrir.

  

Jamais nos deixando sós, nem cair no chão, sonhos sem miragens,

planando bem alto, sentindo no silêncio, o alvorecer dum sorriso, dançando,

onde os raios de luz que brincam nos teus olhos, quentes paisagens,

me dizem que hoje também é primavera, lembrança de vida, abraçando.

  

Vamos correr por esta rua cheia de sol, de mãos dadas, sonho do meu sonho,

quero aprender contigo um pouco do teu ser, ser ave, destino, teu caminho.

Há sempre uma mão que se dá, que repousa sem se cansar, gesto que deponho

junto a ti, como barquinho de papel girando nos braços dum moinho.

  

Por entre teus dedos brinca o sol  por entre carícias e abraços,

como pião solto da corda, girando, girando, por entre traços.

Teu destino é canção e espelho, desagua no meu,  te estendo a mão,

vem, porque é na esperança que te sonho sempre, meu irmão.

   

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Tue, 15 Jan 2008 16:17:38 +0100
OUTUBRO, TEU CANTO http://sempreemluta.nireblog.com/post/2007/10/05/outubro-teu-canto http://sempreemluta.nireblog.com/post/2007/10/05/outubro-teu-canto deusalilith.gif

OUTUBRO, TEU CANTO

para a JESSICA RICARDO

Como o beija-flor que dança nos nossos sonhos
e acasala com a vida, fingindo-se liberto
na dor que nem sequer pressinto
no canto, espanto, simples compasso
de beijo em desalinho, espólio dos tempos,
poeiras de noites resgatadas
onde as palavras se perdem, exactas, imóveis,
sem solidão nem pena, nem doacção.

Sinto que os anjos cantam o dia nascendo, intacto,
surgido do nada, corpo de essências
em clareira de gritos, nítidos, semeados
pelas mãos do vento, doce, salgado,
que ao redor de nós se reflete, amadurece no fruto,
por entre vultos que passam e se esquecem.

suspensa no vermelho do teu sol,
cavalgando o tatear duma esperança,
aguarda o instante em que as palavras
como manhãs remoendo raivas iniciais,
te abram ao dia intimos favos de olhos inteiros
nos segredos que agitam os pingos de chuva
pelos canteiros.

É outubro, dança-se no horizonte.

5|Outubro|2007

-- FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Fri, 05 Oct 2007 15:51:12 +0100
NOVA FAINA http://sempreemluta.nireblog.com/post/2007/09/26/nova-faina http://sempreemluta.nireblog.com/post/2007/09/26/nova-faina deusa-sentada.bmp

NOVA FAINA

Alcateia de ruas
nas fugidias noites dos sentidos
os velhos mareantes amigos
bulindo sons de velas puras

na mesa do vento lento
a deusa nua está perto
sereia urbana em rio desperto
ri e chora no meu lamento

percorro sem saber da seiva matinal
o ruído curvo do céu desfeito
da deusa o quente ventre inicial
no lençol abrasante do meu leito

mulheres amantes de deuses não pensados
outrora luas agitando guitarras
dedilho o som longo ao longo das amarras
cimitaras de guerras em olhos amados

e os lobos percorrem as vielas da noite
já sem ruas e mareantes
a sereia fugidia abraça o rio
e queda no bulício dos amantes
deixando-me liberto de sentidos.

É tempo de nova faina...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Wed, 26 Sep 2007 18:04:20 +0100