Quando as galinhas dentes tiverem
E os ovos se acumularem no olho do cú
Quando as baratas em festança corroerem
Pensamentos de caca que coleccionas no baú
.
Talvez te diga com amável deferência
"És um filósofo urbano de fina cepa
Empinas-te e falas sem cheiro a bolorência
Vestidinho com fatiotas made in Xepa"
.
Preferes chá de tília e bolachinhas de mel
Recusas a inspiradora e rude aguardente
Pareces puta séria em concorrido bordel
A quem nunca malandreco pôs o dente
.
Conheço-te bem, meu caro amigalhaço
Não me lixas com elogios de loja de trezentos
Não passas de um reles e carcomido calhamaço
Sem vergonha ou pinga de elementares sentimentos
.
Tanto bates de raiva no peito engravatado
Como bajulas caninamente instituídos poderes
À muito que deixas-te o competente aprendizado
És oficial do tacho com canudo e cem colheres
.
Vejo-te já equipado a preceito no próximo Carnaval
Em vermelha carroça apunicada e com cara de erudito
E dependurado do pescoço sugestivo letreiro triunfal
Onde se lê: "cá vou eu, quase deus e dono do infinito"

Do Melhor
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del.icio.us





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