
Trazem nos olhos as revoltas dos países colonizados
pólem salgado de palavras invulgares, salientes,
reduzidas ao silêncio pelos negros tanques uníssonos,
agitadas na perturbação que desfila de vestes vermelhas,
quilómetros de medos explodindo nos protestos,
numa resistência heróica que sai à rua e denúncia.
Sacrifício em nome de ideais e nós calados, silêncios,
fechamos o mundo e ninguém quer ver e sentir, perceber,
o silêncio das minorias agitadas, punhos cerrados, razões,
mantidas na ordem pelo poder da bala, intimidação e sangue
e pelo brilho do ouro e do petróleo, apocalipse exultado,
que rasgam bandeiras e oliveiras, culturas e liberdades
À jorna cobramos os descampados de berços, forjados,
é lá que os desfiladeiros se apertam à passagem, sequestrados,
sem relatos e sem vítimas formais, tendências desviantes,
a brutalidade vive impregnada nos instintos da violência
caixote do lixo das almas, réplicas humanas de répteis,
com a ficção transformada em desconhecida realidade.
Neste parágrafo interminável quem consegue conviver
pra lá da aparência das coisas que se dissolvem na morte?
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
3|Abril|2008

Do Melhor
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