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Fita-me com olhos acordados, abertos e húmidos
como quem seja dor, minhas dores, fecundas, palpáveis
deixando-me a visão do pecado, dos sentidos, carruagens
dançando em arco na melodia, seta aguçada, dirigida
por entre copas de árvores, encostas de sangue e pele
fugazes estrelas vegetais em caminhos d’água, antigos
voando nas folhas dos ventos, odres de nuvens, museus
como quem toma de mim, para mim, correntes de seiva
felicidades e humores hesitantes, inacabados, obscuros
anjos de medos maltratados, fartos e despudorados
com gosto de sangue e tempestade, desfeita, incolor
em fruto e devaneios consensuais, conventuais e rezas
em campos de rosas secas não colhidas, como vidas retornadas.
Afinal, o que me fita com olhos acordados, abertos e húmidos?
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FERNANDO MANUEL PEREIRA

Do Melhor
Linkk
del.icio.us





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