NA DESPEDIDA
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Há sonhos plantados
no acordar das manhãs
prenúncio de noites largas renovadas
como serras cortando grades
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há sabermos de nós a esperança antiga
de quem diz gente
- e o sangue corre pachorrento
nas veias da palavra
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há o gesto largo como tela pintada
de olhos e pele tornado mundo
sonhado com sonho
de quem tem medo e existe
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há dos corpos o sabor entrelaçado
da amizade a força dos nossos passos
- e nos punhos erguidos
bandeiras de luta nunca recusada
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há de nós o corpo da palavra
invólucro desfeito em campo fértil
- como ventre devassado e possuído
na ternura de sabermos não estar sós, nunca!
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há amanhã presente hoje e sempre
na recordada recordação de noites
de gente de sangue de lutas
de gestos de copos de ventres...
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na despedida, bom Amigo,
ofereço-te um pedaço deste inferno!
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FERNANDO MANUEL PEREIRA

Do Melhor
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del.icio.us





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