
OBRIGADO, queridas Amigas,
POESIA sempre EM LUTA
AGRADECE O CARINHO E O
INCENTIVO !

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A POESIA É A ARTE DE MATERIALIZAR SOMBRAS E DE DAR EXISTÊNCIA AO NADA |E. BURKE



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Cada navio tem dois ermos extremos
As velas para Vénus e a quilha para Neptuno.
Mas a viagem é o mar com o infinito à vista
E as palavras como brancos lenços agitados.
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Cada pássaro de lume que partilhe essa viagem
Na repetida vibração de cada intacto segundo
É um sol desenrolado nos panos duma silenciosa
Aventura.
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Inútil decifrarmos este navio-oráculo sedento
De todas as fontes adormecidas.
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Se existir um navio de sílabas e sal construído
Embarca o corpo nessa perfeita armadilha da
Alma.
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LUÍS FILIPE ESTRELA
(in ENTRE AS PALAVRAS E O SILÊNCIO)
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SONHO
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Ouvi cantar e pensei
Ser a voz de uma sereia
Em noite de Lua cheia
Ouvi cantar e sonhei
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Sonhei que andava no mar
Entre as vagas navegando
Ouvi leve sussurrar
Era a sereia cantando
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Cantava uma canção
Ao seu amor marinheiro
Que tinha sido o primeiro
Dono do seu coração
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Coração que volta e meia
Se deixava seduzir
Era assim esta sereia
Que ao sonhar julgava ouvir
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JOSÉ RAPOSO
(in AFECTOS E CUMPLICIDADES)
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SÓ EXISTE, SUBVERTE
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paisagem transbordando como uma ilha
pontilhada de lugares cheiros contido olhar
labirinto na pele como tatuagem em osso de baleia
correndo atrás de um desejo moribundo
talvez para que só esta noite exista
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pintor sem lugares preenchidos fragilidades
tela oceânica de passos apressados
salientes nos nossos olhos riscam poços do mar
fora do alcance das explosões invisíveis
quebram caminhos diferentes estímulos nas nuvens
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ilha atlântica em manifesto de fogo contido
fruição nítida soprando erguendo estrelas anãs
seres errantes seculares fixos às pedras nascidas
enraizadas nas areias rugosas do mundo submerso
buscam o que não existe ou se existe não sonhei
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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