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TEU CORPO COMO ESPAÇO
uma vida com trilhos de passagem, ar de noite, ventosa,
por onde pressentidos sonhos circulam, alvos colos, apressados,
promessas como mantos largos e quentes em época invernosa,
argila esfarelada por entre dedos, de afagos livres, endiabrados.
.
partilhar contigo promessas, restingas de amores perseguidos,
areias de campo e mar, sons de gestos lineares, pálidas luzes,
amores enleados, ciciados nos teus seios quentes e prometidos,
vãos percursos desenhados em lençõis circulares, alcatruzes.
.
teu corpo como espaço impreciso entre um beijo e outro, consentido,
clama desejos, sensações de tela pintada, exposta à vista, iluminada,
éden de maçãs, tentação de serpente escondida, quente e concedido,
colado ao meu, na descoberta breve do amor como serpente desejada.
.
amo teu espírito de estrelas, céu azul cúmplice como planta volúvel,
mulher, fermento de utopias e revoltas, ventre de desejos escondidos,
trazendo da terra que alimenta, pássaros de beijos, cheiro de mel
e o instante único duma manhã de sol, por entre vagas de sentidos.
.
amar é atravessar um rio para chegar mais além...
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

EMBALOS
Meio escondidos na escuridão
velhos contadores de histórias
caminham direito ao cepo
aniquilando-se mutuamente
raivosos
em puro desespero
sonho mau em cavidade negra
ansiedade
canto de camponesas embrenhado no nevoeiro
voos perdidos
.
as andorinhas sobrevoam
a matriz original
ninhos desfeitos
ondas a brincarem com a morte
inconscientes
abismos da noite
mar de aragem em voos dirfarçados
dança suave
vagos e baços
impotentes contra a memória de um morto
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

SONHOS, PROMESSAS
um amor igual ao meu batia no centro da terra, em desordem,
livre, na revolta contra mim próprio até ao extremo do mundo,
devorado por um remoinho de fumo, banhando-se no nevoeiro,
como ramagens que se estendem para o sol, dispersas, atarefadas,
desgrenhadas, sonhos voando de promessas em promessas, noctívagos
.
amor rumor em apelo contra as trevas, nua até aos ossos, até à pele,
memória do mundo coberto com sua asas constelada, em desordem,
aguaceiros de conchas e algas, gritos doidos de estátuas vazias,
amores passados que regressam à vida na frescura das noites, reclamadas,
espécie de soluço consumindo a vida, bêbado pedindo um último copo
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

PECÚLIO
.
ruído abstracto incolor fremindo
transparente medusa primitiva se evolara
abraços que não chegam ao destino atropelos
ululante multidão volúvel imagens
vida dispersa em copo de água agitada mutável
cheiro breve de terra molhada no espelho
.
no horizonte de todas as vidas
amar sem medida nem prudência
como pecúlio numa lata enterrada
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Poemas tão belos, que fico sem palavras...
Paula Raposo
30-07-2007 - 16:23:06 GMT 1
Poesias lindas. Poesias excelentes. Parabéns, muitos parabéns ao poeta Fernando Manuel Pereira.
Joana Fonseca
Joana Fonseca
11-08-2007 - 23:14:20 GMT 1
Partilho em absoluto a opinião de minha mãe. Adorei as suas poesias, em particular. No entanto, todas as outras aqui publicadas são muito boas.
Parabéns para todos os POETAS aqui representados!
Marília Fonseca
Marília Fonseca
11-08-2007 - 23:17:27 GMT 1
Poesias lindas. Poesias excelentes. Parabéns, muitos parabéns ao poeta Fernando Manuel Pereira.
Joana Fonseca
Joana Fonseca
11-08-2007 - 23:19:49 GMT 1
lindos e muito inspirados seus poemas.... caro poeta... ardentes... quem o conhece não imagina!!!!!!!!!!!!!!1
ELIANA
13-08-2007 - 17:13:13 GMT 1