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POESIA sempre EM LUTA

Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo.
Gravatar Um Poema, meus Amigos, é a gestão de pequenos consensos e muitas divergências.

Se quiseres escrever-me

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 EM JEITO DE ABRAÇO

 

nesta apaziguante obscuridade

da madrugada

encarquilhada pela brisa fresca

que se esconde na erva rasa da encosta

os barcos vivos

tornam possível mudar as margens

os passos das águas do rio

o sol que se reflecte em mil paletas

nos voos das gaivotas

que não andam em bandos

.

vida que se suspende

perdida no horizonte

em jeito de lago

abraço quente

entre ruídos abafados

tragados pela terra

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

 

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SOBRESSALTO

 

suam cansaços por entre a luz

das chamas altas

poiso de mil ilhas verdejantes

como retrato intimista

deambulando sem império

cânticos de guerra

na obscuridade infinita da noite

rodopiam no céu a remoer memórias

agitadas pelo vento

coreografando alegorias

dramáticamente

na floresta dos sentidos recém cortados

.

imóvel persigo poemas

fechados em gavetas...

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

 

3gracas.jpg

POR ENTRE ÁGUAS

 

delírio

sustentáculo

desencanto

tolerado zumbido familiar

improviso à viola

beatice festiva

vida cercada

freiras imprudentes

poetas vadios

de roldão na esteira rimática

.

trovador de viola

nascido em aváro báu

ninho de glosas estropiadas

criando raízes

no rio líquido e salgado

estrofes

outeiros

festas em pátios

de conventos

embrulhada em hábitos

.

mordaz veemência

sobressalto sensorial

bulícios das sombras

na íngreme escarpa de rocha

povaréu espiando

incorpóreos

baleias e baleeiros

é preciso distância

para as respostas

em formação calcária

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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A CERTEZA DE ESTAR

 

gaivotas doidas neste cais de anoitecer citadino burgês

dança copos maresias de sol poente sinuosos corpos

pra lá do horizonte nas nuvens ramos arbustos o silêncio

junto ao rio olhando o mar em ninho de terra cultivada aceite

.

amigos de luta agora tecida na raiva entre apelos

merendas de povo caminhantes jornas de sangue jornadas

pequenas vielas de ruas conservadas museus de passos construídos

abraços ancinhos enxadas revolta dos dias dos dedos as mãos

.

alimentam-se as veias percurso estendal de sonhos sementeiras

chama-se à luz da vela candeeiros aldeias de pedra pensadas escondidas

unhas rasgando paredes fontanários risos nocturnos trigais

de descrença novos rumos novas serras a lua que no sol cai

.

gaivotas do meu sonho agora adulto escondem-se no vento espiam

bailes copos trovoadas de sóis poentes terra vibrante ensandecida

alagada prole de ondas adormecidas searas jovens a romper

adiados abraços dedos e gritos palavras desfeitas talvez poemas

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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