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POESIA sempre EM LUTA

Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo.
Gravatar Um Poema, meus Amigos, é a gestão de pequenos consensos e muitas divergências.

Se quiseres escrever-me

 

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CIDADE INQUEBRÁVEL, VIVIDA

 

 cidade antiga de céu afagando a serra

íntimo horizonte    amplo de ilusões    tradições

gaivotas planando    amando    acima do rio

cântigo de voos sussurados nas ondas

em segredo de vida    melodia

como sombra errante eclodindo da noite

ventos    espuma de ondas    desnudas recordações

união entre o homem e a terra    concebida

.

poço do passado a cair no imenso abismo

dos passos antigos    repetidos    memórias

como um sonho em que nos afundamos

de pedras e ruas    barcos e remos    navegados

a pensar no azul líquido do rio da nossa saudade

rumos consentidos    madrugadas de fainas

melancolia a envolver-nos na sua afastada doçura

restos de sol poente    incendiado

.

furtivamente visitado    fugido por montes e vales

o tempo a correr sobre recordações desenfreadas

como olhares de crianças tristes    teia de fios de mel

doce torpor em poalha d'água    imutáveis

secreto desejo    campos e laranjais    terra virgem

barcos e rumos de ondas imaginadas    abençoadas

melodia que embala da minha meninice

memórias de luta    inquebráveis.

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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SONHO FUGIDO

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nascidas das ruínas da guerra

lágrimas a cairem de olhares cegos

a desabarem como chuva

enrolando-se nos teus olhos

largos glaciares a derreterem-se88.jpg

onde a palavra não toca não fala

.

caos orgânico da cidade geométrica88.jpg

vivência do segredo engolido pelo jardim

suspenso nas vagas de espuma

que galgam muralhas

tuas mãos secretas luas sem sentido

moldam-te no +intimo de mim88.jpg

.

entranhável realidade

como a vida decorre

retoma e articula88.jpg

emerge específica

meus desejos caindo

no vazio da tua ausência

.

canto suspenso sem concessões

à luz das velas a apróximar memórias88.jpg

teus lábios como potes de lume

murmurando dilemas de loucos

sem a grandeza de outrora

melodia que embala meus pensamentos.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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 SOL I LÓQUIO

 

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1

nesta solitária dança

em que tudo se esboroa

como refrão a explodir

em lugar incerto

envolvido no manto insalubre

da água a mudar de lugar

em capricho de marés

lento e intimista percorro a cidade

perdida em si mesma

melodrama garrido

perto do mar escondido

depois dos telhados vermelhos

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2

ruas em leitos vazios de ribeiros

onde se teceram juras e promessas

o som fraco da respiração

acompanha o vento

onde as aves nidificam

antes da noite chegar

rendilhada de calçadas de granito

onde brilham letras ao longo do dia

como fardas de revolucionários

em constante recomeço

enleando-se no cume da serra

como segredos de ontem e de hoje.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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ROSTOS
realidade
sem rosto
barcos    brisa
eterniza o dia
sob os raios do sol
potentes
a correr
transparentes
a arder
natureza
quente bruma
grandeza
sem cores
sem navegadores
a correr a descer
doçura arco íris de candura
olhos de terra feitos mar
sobressaindo do azul das ondas
 .
  FERNANDO MANUEL PEREIRA
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