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POESIA sempre EM LUTA

Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo.
Gravatar Um Poema, meus Amigos, é a gestão de pequenos consensos e muitas divergências.

Se quiseres escrever-me

NA DESPEDIDA

poesiasempreemluta — 21-09-2007 GTM 1 @ 16:09

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NA DESPEDIDA
.
Há sonhos plantados
no acordar das manhãs
prenúncio de noites largas renovadas
como serras cortando grades
.
há sabermos de nós a esperança antiga
de quem diz gente
- e o sangue corre pachorrento
nas veias da palavra
.
há o gesto largo como tela pintada
de olhos e pele tornado mundo
sonhado com sonho
de quem tem medo e existe
.
há dos corpos o sabor entrelaçado
da amizade a força dos nossos passos
- e nos punhos erguidos
bandeiras de luta nunca recusada
.
há de nós o corpo da palavra
invólucro desfeito em campo fértil
- como ventre devassado e possuído
na ternura de sabermos não estar sós, nunca!
.
há amanhã presente hoje e sempre
na recordada recordação de noites
de gente de sangue de lutas
de gestos de copos de ventres...
.
na despedida, bom Amigo,
ofereço-te um pedaço deste inferno!
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

POEMAS DO MEU LIVRO

poesiasempreemluta — 21-09-2007 GTM 1 @ 15:43

INVENTO

Retenho com cuidado a arma-cidade
na tempestade perdida das dunas egípcias
gravo em pé real a realeza morta
imolo as piramides à luz da fome
.
forneço as lanças e os arqueiros
o engenho do perfume cleópatra
misturo rodeos com toneios
salsaparilha com pés de salsa
.
valso chicotes ondeio metralhas
óbusos saídos de satélites loucos
caldeio mendigos com gafanhotos puros
abro tumbas de oleiros escravos
.
ouso mendigar execuções em massa
violo maternidades de canibais descalços
sento comensais em varandas acolchoadas
espezinho trigo no celeiro dos tempos
.
proclamo negociações de paz rubricadas
prendo países às luas de marte
canso os rumos atómicos dos relógios de bolso
incendeio as bíblias dos naufragados
.
minto a verdade do guerrilheiro louco
recuso o amor dos leitos dos rios
quebro ampulhetas de violados sorrisos
altero o meridiano do habitual cometa
.
inverto a opaca nuvem de cogumela potência
extravasso vulcões de peitos amamentados
risco andores nos músculos vertentes
tatuo gincanas em grades de povo
.
liberto o povo dos hinos musicados
invento um hino com povo inventado
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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AMOR OCULTO AMOR

poesiasempreemluta — 03-09-2007 GTM 1 @ 20:02

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AMOR OCULTO AMOR 

 Abriste-me a janela do teu sorriso

e revejo todo o silêncio do mundo,

dissimulando as palavras

e os espaços convocados

porque te sei raízes de fogo e d'água.

.

Dor íntima, extrema, a cortar,

numa quase primavera,

muro de heras, campo trazido, articulado,

caderno onde as escritas ainda frescas

pintam azulejos, memórias.

.

Se ouvissem a beleza patética da noite,

saberiam das lágrimas uma canção

como sonho agitado, assombrado

de saudades quentes,

numa moldura antiga, talhada.

O coração nas mãos, sempre...

CAMPOS DA MEMÓRIA

poesiasempreemluta — 02-09-2007 GTM 1 @ 18:33

PLANETA AZUL

As águas estão a separar-se, de um lado assistimos à loucura desenfreada pelo ter em vez de ser, mas por outro há cada vez mais pessoas com uma consciência colectiva pelo Planeta e pelo semelhante; muitas delas abandonaram a passividade cómoda, outras despertam ainda timidamente. Acredito que este número de seres será cada ver maior; não posso nem devo esmorecer; acreditar sempre!As novas gerações felizmente trazem um novo olhar e as suas palavras agitam e agilizam consciências.Cada um tem de fazer a sua parte e ninguém me pergunte como. Quem realmente quiser fazer a diferença para melhor, não necessita de um manual, nem de instruções de terceiros; basta querer. E querer é força, força é vida!Se a humanidade desaparecer desta linda bola azul vista do espaço, em 500 anos não restarão vestígios, a natureza fará o seu papel e o equilíbrio será restaurado.Cabe a cada um decidir se é a favor ou contra si.

CECÍLIA FERNANDES

 

(Este belíssimo texto também está publicado no blog http://etcetal.blogs.sapo.pt/ 


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CAMPOS DA MEMÓRIA

As pedras nas alvenarias de cal e gesso
também muralhas despojadas cercanias
máscaras visitadas musgosas seculares
caiam cavalos guerreiros sem escudos
descemos à sala de jantar lareira e mesa circulares
nunca tinha pensado nisso telhas e fumos.
.
O solo puxa as folhas o ar o sol o som
crescem pêlos fragmentos de atalhos olhares
não se sabe onde ponteiros rédeas e redes alfaias
panelas de cobre imagens benzidas rezadas
universo uniforme calendário água de poço
só diviso gigantes no barro moinhos e noras girando.
.
Nos campos da memória férteis arados sulcam ventos
odor de calor lareira crepitando no frio da serra
passos e vozes alecrim flores de antanho perfumadas
caminhos de ceifeiras olhares e lenços cansaços e mágoas
a recordação enchendo o corpo guiando os gestos amamentando
depois da serra depois do mar o infinito é um instante um grito.

FERNANDO MANUEL PEREIRA20051221203729vidaymuervg6.jpg

MANIFESTO UNIVERSAL DOS POETAS DO MUNDO

poesiasempreemluta — 31-08-2007 GTM 1 @ 14:06

poetal-del-mundo.jpgMANIFESTO

Poetas do Mundo, é chegada a hora exata para unir nossas forças na defesa da continuação da vida: somos guerreiros da paz e mensageiros dessa nova história para da humanidade. Somos os poetas da luz – veículo que nos conduz para levar o chamado de alerta de que não podemos nos furtar. Atravessamos a morte de um período degenerado das eras, e assistiremos o nascimento de uma NOVA ERA – para a qual, nós, os poetas, recebemos nossos dons, nossas missões e obrigações. A humanidade vive momentos decisivos de luta pela sobrevivência, mas ainda não acordou para o fato de estar caminhando rumo a um precipício, direto para a extinção. Urge que tomemos o leme e mudemos o caminho para a elevação coletiva, para que recuperemos o patrimônio da vida como dom universal e direito de todos.

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Desde os mais remotos tempos que o homem pode recordar, é sabido que a existência humana depara-se com os desafios de viver e progredir, enfrentados com escolhas que trouxeram e trazem a degradação do ambiente natural. O homem fez disso um confronto, uma batalha e apenas se preocupou em vencer, como qualquer mercenário numa guerra, a qualquer preço, apenas assegurando para si a sobrevivência momentânea – sem pensar nos prejuízos que seriam deixados às gerações futuras, nem sequer nas conseqüências em curto prazo. E assim tem sido, a satisfação instantânea da necessidade de sobrevivência ou da ganância do homem tem gerado e lançado sobre todos, homens e mulheres, as mais terríveis catástrofes. O homem em seu afã de ser mais, de crescer e crescer sempre e desmedidamente, degrada o planeta até os limites da exaustão dos recursos naturais conhecidos, leva à extinção até o que nem chegamos a conhecer – num jogo de ambição que coloca em risco a existência do próprio homem como espécie.

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Por este querer sempre MAIS, a humanidade não só esgota as riquezas materiais do planeta, como também os bens humanos, transformando um a um em desesperado e criminoso, a ponto de nos matarmos uns aos outros para sobreviver, ou para alcançar ascensão e glória... Ou simplesmente para dizer: SOU, e SOU MAIS que você... Assim como exaurimos o planeta dia após dia, consumindo os recursos naturais e humanos, ainda somos capazes de construir armas de destruição em massa, que podem levar ao extermínio da humanidade em poucas horas. Isso tudo num cenário em que a supremacia e o poder concentram-se sempre nas mesmas mãos, dos mesmos impérios, que não são capazes de sequer olhar pelos semelhantes que morrem na miséria, apesar de atingirem a riqueza absoluta. Se os Homens e Mulheres não mudarem de rumo, E AGORA, as próximas gerações terão sólidas razões para nos odiar. E é nossa esperança de que isso é possível, porque o caos moral, político [guerras infames], econômico [o ser humano transformado em bem, escravizado pelo dinheiro], tudo isso é manifestação do “PARTO DA HISTÓRIA” – assim como uma mulher quando dá a luz a um bebê tem em si muitas dores; a história mesma anuncia o nascimento de uma NOVA ERA.

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VISITE A MINHA PÁGINA MAIS RECENTE EM 

POETAS DEL MUNDO:

http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_europa.asp?ID=2912

 

VISITE TAMBÉM O MEU ESPAÇO EM

LusoPoemas

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POESIA SEMPRE EM LUTA !

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...És POETA? Escreves POESIA?...

Vamos unir nossas forças na defesa da continuação da vida. Somos guerreiros da Paz e Mensageiros dessa nova história para a Humanidade

..................É chegada a hora!!!.................

INSCREVE-TE JÁ EM

.

POETAS  DEL  MUNDO

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http://www.poetasdelmundo.com/verManif_espanol.asp?ID_Manifiesto=85 

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HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE DIZ NÃO

poesiasempreemluta — 28-08-2007 GTM 1 @ 17:01

POEMAS CONTRA A DITADURA

Muitos foram os poetas que cantaram as ideias de Abril.
Antes e depois da Revolução dos Cravos muitos poetas portugueses escreveram sobre as ideias de liberdade e solidariedade, contra a ditadura.
 

Uma pequena antologia da Poesia de Abril.
CLIQUE PARA LER

 

As Portas Que Abril Abriu - José Carlos Ary dos Santos
Eu Sou Português Aqui - José Fanha
A Rapariga do País de Abril - Manuel Alegre
Abril de Abril - Manuel Alegre
Abril de Sim Abril de Não - Manuel Alegre
Explicação do País de Abril - Manuel Alegre
Liberdade - Sérgio Godinho
De Coração e Raça - Sérgio Godinho
Para Aquém de Abril - Francisco Duarte

 


OUTRAS VOZES

poesiasempreemluta — 20-08-2007 GTM 1 @ 18:30

 

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DA RAIVA O POEMA

No suor das velas manhosas em ventos parcos

no sulco dos desenhos dos pássaros vegetais

reparto colmeias de ondas dos rios sem regresso

no regresso passado dos rumos matinais

 .

manhãs sem chuva e sem oráculos

ventres violados das colheitas desejadas

espadas enxadas de cometas inventados

breves estrelas de emoções esfrangalhadas

.

desta raiva que é ser

esqueleto breve deste poema.

 FERNANDO MANUEL PEREIRA

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.

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TREMEM

AO VENTO

DO TEU

SOPRO

 ...

 são olhares cruzados
frente a frente,
e sorrisos trocados
num abraço quente.

pouco apertado,
que a distância é vasta,
como um deserto, mas diferente.

e bastam suspiros ao ouvido,
para tremer as árvores do meu ser,
sejam eles do teu peito junto a mim,
e nada é do que tinha sido.

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Força de luz

Mais que o sangue
da vida,
recebo uma troca de
orgulho inchado,
e retorno vazio, como as
palavras malditas que
choram na miséria do
inacabado penar.
Fico suspenso num
espaço oco, numa real
idade do gelo arrefeço
as íris para resistir ao
vento forte que assobia
arrepios
e solto-me nas vozes
gritantes que me
apertam o peito.

Gabriel
Debaixo do Bulcão poezine
número 4 - Almada, Julho 1997

GALERIA de AMIGOS

poesiasempreemluta — 16-08-2007 GTM 1 @ 12:21

ZECA AFONSO

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Traz Outro Amigo Também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

José Afonso

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Parabéns CÉU CAMPOS!

HOJE, 16 de AGOSTO, é o teu dia.

Feliz ANIVERSÁRIO.

É para ti este pedaço de tempo vivo e NOSSO.

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Céu Campos celebra hoje mais um aniversario. A dimensão da sua caminhada cultural e vida SIMPLES falam por si.

Faz parte da equipa do Arestas de Vento e realiza o programa radiofónico Espelho Mágico da Pal fm há 20 anos.
Principal mentora do Festival da Canção Infanto- Juvenil de Palmela. Evento que vai na 12ª edição. É directora do Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico (GATEM).

O seu Universo Artístico divide-se entre as ARTES PLÁSTICAS, a RÁDIO, o TEATRO, as CRIANÇAS e a SOLIDARIEDADE.

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http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

DO BRASIL, COM CARINHO

poesiasempreemluta — 12-08-2007 GTM 1 @ 12:54

 

 

 

A NOITE DA LUA, AMORES

Para a ELIANA ALVES, mineirinha de sorriso lindo

 .

A noite agita sombras nas paredes da cidade, inebriada, sonolenta,

a lua, branca de cal, desperta num céu arenoso, inculto, de açafrão,

titila a pele da terra, respira dos seus odores, suas dores, alimenta

sonhos no arco íris do horizonte, rasgando da sua a própria recordação.

.

Sinto nos seus olhos o tempo do amor, em beijos tecido, lá posto,

como afagos de rendição de todos os amantes, ventre e seios, receios,

segredos que fazem tremer o vento, melodia de sereia antiga, sem rosto,

serena aparição enleada em ondas, escondida, nasce e morre noutros rios.

.

De palavras onde se afoga o gesto estendido sobre a sua nudez,

como areia removida dos sulcos, profecia de mártires escravizados,

ondas de terra, carícias que nos cabelos se escondem, renascem, talvez,

zumbidos de jardins cheios de noite, cheios de lua, amancebados.

.

Feito de números e letras, corpo de cabala, símbolos, sensual esplendor,

espalha-se na noite como pó, silêncio que pesa na respiração, paisagem,

amor à tona no oceano encapelado, presente, maciço, remoinho esmagador,

imprudente amor, refúgio de náufragos, de mim retomo a posse, a viagem...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

........

POEMA SEM TÍTULO

 

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Eu tenho um sorriso estendido de orelha a orelha
Eu vejo você caminhando pela estrada
Nós nos encontramos nas luzes,

Eu observo por um instante
O mundo a nossa volta desaparece
É só você e eu na minha ilha de esperança
Um suspiro entre nós poderia ser milhas
Deixe me estar a sua volta, um mar para a sua costa
Deixe me acalmar sua procura

.

Mas toda vez que eu estou perto de você
Há tanto que eu não posso dizer
E você apenas vai embora

.

E eu esqueci de dizer
Eu amo você
E as noites são longas demais
E frias aqui
Sem você
E sofro na minha condição
Para nao conseguir achar as palavras para dizer
Eu preciso de você tanto

.

Mas toda vez que eu estou perto de você
Há tanto que eu não posso dizer
E você apenas vai embora

.

E eu esqueci de dizer
Eu amo você
E as noites são longas demais
E frias aqui
Sem você
E sofro na minha condição
Para nao conseguir achar as palavras para dizer
Eu preciso de você tanto

MARIANNY

POESIA sempre EM LUTA

poesiasempreemluta — 09-08-2007 GTM 1 @ 23:42

 B U S C O ...

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Eu busco uma amizade...

Não precisa ser homem,
basta ser humano,
basta ter sentimento,
basta ter coração.

Precisa saber falar e calar,
sobretudo saber ouvir

o que as palavras não dizem.

Tem que gostar de poesia,
de madrugada, de pássaros,
das estrelas, do sol, da lua,
do canto dos ventos
e das canções da brisa.
Deve ter amor,
um grande amor por alguém,
ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar a dor
que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível que seja de segunda mão.

Pode já ter sido enganado,
pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro,
nem que seja de todo impuro,
mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,
no caso de assim não ser,
deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem de ter ressonâncias humanas,
seu principal objetivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoas tristes
e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças
e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos,
que se comova quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples,
de orvalhos, de grandes chuvas
e das recordações da infância.

Preciso de um amigo para não enlouquecer,
para contar o que vi de belo
e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações,
dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas,
de poças d'água e de caminhos molhados,
de beira de estrada, de mato depois da chuva,
de se deitar no capim.

Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela,
mas porque já tenho um amigo.

Preciso de um amigo para parar de chorar.
Para não viver debruçado no passado
em busca de memórias perdidas.

Que bata nos ombros sorrindo e chorando,
mas que me chame de amigo,
para que eu tenha a consciência de que ainda vivo.

.
MARIANNY (Brasil)

 

 

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MAIS  TRÊS  DISTINÇÕESflag_pt.gifpremio1.jpg