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POESIA sempre EM LUTA

Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo.
Gravatar Um Poema, meus Amigos, é a gestão de pequenos consensos e muitas divergências.

Se quiseres escrever-me

AVE CAESAR

poesiasempreemluta — 18-02-2008 GTM 1 @ 20:04

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rompe convenções

vai ao encontro do nada

cria um palco abre a roda e manda ver

desarma defesas

tira as máscaras dos nossos quotidianos

alinha ideias

diálogos comunicações espectáculos

linguagem jovem alegorias

recriando danças

a mímica o circo, a marionete

FERNANDO MANUEL PEREIRA

TÁ-SE BEM, Ó MEU

poesiasempreemluta — 22-01-2008 GTM 1 @ 18:03

 

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Tá-se bem, ó meu

neste canto à beira-mar

é baril bater um couro

com a garina passear

 

Neste fim de tarde

Curto uma de verão

Topo ao longe um fatela

Vou bazar, meu irmão

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Desatino na desbunda

Nesta onda de filar

 

Eu deliro, perco o juízo,

O pensamento me agita

Dá de frosques ó careta

Não pertences a esta fita

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Topa-me lá aquele cota

Que co’a minha quer dançar

 

Mas que ganda nóia

Que cena mais fatela

O cota que vejo vir

É o mangas do pai dela

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Entrem na nossa onda

Onda boa de cantar

 

Tá-se bem, ó meu

Neste canto à beira-mar

Entrem na nossa onda

Onda boa de cantar.

 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA 

(Letra seleccionada para o 12º FESTIVAL DA CANÇÃO INFANTO JUVENIL DE PALMELA|2008)

UM NADA, AFINAL TUDO

poesiasempreemluta — 15-01-2008 GTM 1 @ 23:14

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UM NADA, AFINAL TUDO

      

Deixa-me cumprir o protocolo,

Gargalhar, arquivar meu fato de palavras,

Brincar de faz-de-conta nesta modorra libertina,

Neste cubo de loucura, olhos abertos a riscar sonhos,

Entre dedos regressivos, calafrios longos, subtis,

Soltos na tua respiração, entre brancas, tocadas nuvens,

Velejando nas pranchetas dos meus desenhos rasgados.

  

Momentos fugidos, fugidios, arcanos desnudados,

Nascem fugazes nos caminhos perdidos, imaginados

Como lamentações deixadas soltas à beira dum rio,

A descansar nos braços da penumbra que desagua

No regaço doido da esventrada pedra filosofal,

Memória de encantamentos na noite insólita, perene,

Como fogo que queima lentamente em cada teu olhar.

  

Recordações de um nada, quase nada, afinal tudo,

Voando afastadas das encostas modeladas que lhe deram vida,

Brincando na areia, ventre do cais urbano, em construção de renda,

Entregues ao balanço duma cidade azul recém-nascida, possuída,

Por entre fumo de sons, desavenças, presenças, fráguas longínquas,

Enquanto junto à lua a sereia embala o mar, beijando-o.

É, talvez, a sombra do teu corpo, onde me banho, a sonhar…

FERNANDO MANUEL PEREIRA

 

   

VELHOS SONHOS

poesiasempreemluta — 15-01-2008 GTM 1 @ 22:42

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VELHOS SONHOS

 ao Ricardo Cardoso,  Coucence e radialista. Amigo. 



 

1

.

Como vês este mundo

ainda não está completamente perdido

há clareiras intocadas respiradas

linhas de passagem para jangadas de nuvens

feitas de passos entre cavernas eco de gritos

alguns abraços gestos caminhos esquecidos

desbravados

um sonho tateado à beira d'um rio

.

2

.

onde as palavras ditas em tempo certo

incerto

sopram nas velas olhares distantes

perpétuos

agitam-se nos remos nos degraus

em sintonia

afastam adamastores riscos cortantes

nas margens

os filhos da puta sabem destas cumplicidades

elogios à tona em espaço de redes de malha larga

onde o absinto tece elucubrações de raízes

nos fundilhos do além

.

3

.

No desjejum da esperança o fim da noite

substitue a aurora inebria a melodia

dança

na realidade dos náufragos cúmplice atormenta

enlouquecida das suas próprias sombras

é o sentimento do mundo na despedida

se não houve frutos valeu a semente pelas flores

qualquer barulho é ensurdecedor

.

4

.

é pequena a sombra que se debruça em direcção ao sonho

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA 

.

15 Janeiro 08


 

DO SONHO, A ESPERANÇA

poesiasempreemluta — 15-01-2008 GTM 1 @ 16:17

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Quero doar-te meu coração onde um sonho com asas de esperança

voa por entre amigos, fluindo em ondas de desejos, com olhos de sentir.

A força do amor tem magia, manhãs repletas de luz, santa aliança

onde o céu não é limite por entre sentimentos que fazem a alma sorrir.

  

Jamais nos deixando sós, nem cair no chão, sonhos sem miragens,

planando bem alto, sentindo no silêncio, o alvorecer dum sorriso, dançando,

onde os raios de luz que brincam nos teus olhos, quentes paisagens,

me dizem que hoje também é primavera, lembrança de vida, abraçando.

  

Vamos correr por esta rua cheia de sol, de mãos dadas, sonho do meu sonho,

quero aprender contigo um pouco do teu ser, ser ave, destino, teu caminho.

Há sempre uma mão que se dá, que repousa sem se cansar, gesto que deponho

junto a ti, como barquinho de papel girando nos braços dum moinho.

  

Por entre teus dedos brinca o sol  por entre carícias e abraços,

como pião solto da corda, girando, girando, por entre traços.

Teu destino é canção e espelho, desagua no meu,  te estendo a mão,

vem, porque é na esperança que te sonho sempre, meu irmão.

   

FERNANDO MANUEL PEREIRA

OUTUBRO, TEU CANTO

poesiasempreemluta — 05-10-2007 GTM 1 @ 15:51

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OUTUBRO, TEU CANTO

para a JESSICA RICARDO

Como o beija-flor que dança nos nossos sonhos
e acasala com a vida, fingindo-se liberto
na dor que nem sequer pressinto
no canto, espanto, simples compasso
de beijo em desalinho, espólio dos tempos,
poeiras de noites resgatadas
onde as palavras se perdem, exactas, imóveis,
sem solidão nem pena, nem doacção.

Sinto que os anjos cantam o dia nascendo, intacto,
surgido do nada, corpo de essências
em clareira de gritos, nítidos, semeados
pelas mãos do vento, doce, salgado,
que ao redor de nós se reflete, amadurece no fruto,
por entre vultos que passam e se esquecem.

suspensa no vermelho do teu sol,
cavalgando o tatear duma esperança,
aguarda o instante em que as palavras
como manhãs remoendo raivas iniciais,
te abram ao dia intimos favos de olhos inteiros
nos segredos que agitam os pingos de chuva
pelos canteiros.

É outubro, dança-se no horizonte.

5|Outubro|2007

-- FERNANDO MANUEL PEREIRA

NOVA FAINA

poesiasempreemluta — 26-09-2007 GTM 1 @ 18:04

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NOVA FAINA

Alcateia de ruas
nas fugidias noites dos sentidos
os velhos mareantes amigos
bulindo sons de velas puras

na mesa do vento lento
a deusa nua está perto
sereia urbana em rio desperto
ri e chora no meu lamento

percorro sem saber da seiva matinal
o ruído curvo do céu desfeito
da deusa o quente ventre inicial
no lençol abrasante do meu leito

mulheres amantes de deuses não pensados
outrora luas agitando guitarras
dedilho o som longo ao longo das amarras
cimitaras de guerras em olhos amados

e os lobos percorrem as vielas da noite
já sem ruas e mareantes
a sereia fugidia abraça o rio
e queda no bulício dos amantes
deixando-me liberto de sentidos.

É tempo de nova faina...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

POEMAS ESQUECIDOS

poesiasempreemluta — 21-09-2007 GTM 1 @ 16:48

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NAS CATACUMBAS PÁSSAROS LIVRES

Nas catacumbas dos gestos
desconhecidos vivem
nas paredes
os ninhos
dos pássaros
de voos largos e mansos

embriago-me todas as noites
e canso-me de andar
falar
estar
porque descobri a tristeza
de todos os prisioneiros mortos e vivos
nos voos dos pássaros livres.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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POESIA EM LUTA

poesiasempreemluta — 21-09-2007 GTM 1 @ 16:35

CONQUISTANDO O MITO

Cortando o fumo da madrugada
o cheiro de tudo e de nada
entre gestos de giestas
gritos andantes ambulantes vagantes

por entre pensamentos espessos
sons de silêncio e de plantas
neste celeiro de povo sempre novo
certo e incerto na penunbra do gesto

ergo um grito e meu lamento
minha arma de gume sem fronteiras
acerto o passo tomo o traço
lanço a lança directa ao alvo

construo-me construindo o abraço
digo sim e talvez e talvez não
entre a construção de um Amigo de sempre
na força viva de um Amigo que nunca vi.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

REVOLTA

poesiasempreemluta — 21-09-2007 GTM 1 @ 16:22

REVOLTA

.
Voz de cal
e cheiro de garrafas partidas
.
exija-se revolta
de palavras vivas
para os dicionários
limparem as sargetas
porque se suicidaram
as letras
nas tipografias
.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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