Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

POESIA sempre EM LUTA

Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo.
Gravatar Um Poema, meus Amigos, é a gestão de pequenos consensos e muitas divergências.

Se quiseres escrever-me

MONÓLOGO

poesiasempreemluta — 03-07-2009 GTM 1 @ 21:40

 

 

Pimpolho repolho restolho

Em compita parasita grita

Vedeta se deita aleita

Barafusta vocifera altera


 

Banalidades hostilidades

Zurrapa clandestina afina

Raivoso medroso chungoso


 

Não é lapso colapso

É destino no desatino da vida.

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

3Julho2009

MANEQUIM EM FULL TIME

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:35

/2/2009
Conhecido pingente de unhas envernizadas

É voluntário protector de púdicas donzelas

Com quilómetros de pilinhas mal contadas

E muitas desditas desenroladas à luz de velas

.

Talvez má sorte na escolha dos amantes

Ou tão-só truca-truca não dado a preceito

Também desencanto de marmelados instantes

Certamente conta bancária com pouco jeito

.

Eis as ingénuas beldades educadas em convento

Tristes chorosas em desabafos com muito tino

A que o nosso bufarinheiro de ouvido atento

Procura logo amenizar o ruim triste destino

.

Junta-se a lama com a merda, bons parentes

Gavetão de puta com sanguessuga de engate

Uma parelha transcendente de penduras carentes

Qual dos dois o mais qualificado bonifrate

.

Quem o ouve não o leva preso, é gajo sabidão

Sem suor e sem mágoas, rica vida, rico emprego

É a chulice encadernada olhos postos no cifrão

Um santinho oportunista em busca de aconchego

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

6|Fevereiro|2009

.  

O PART TIME DO MANEQUIM

.

Quando lhe toca a pagar, sente-se mal da barriga

Dá à sola o saltitão, não por falta de carroço,

Tem um poço de petróleo, o Papa que o diga                         

É porque lhe caiu mal a lagosta ao almoç

.

. Narinas bem treinadas em andanças sociais

Assim que papas e bolos cruzam o seu percurso

Ala rapaz que se faz tarde, confia nos sinais

Vai ser um grande dia e talvez botes discurso

.

Quando a ilustre criatura passeia toda engomada

Pelas ruas da cidade, o espanto ri-se de esguelha

Ouvem-se anjinhos a cantar em alegre revoada

E decreta-se no paraíso dia santo de orelha

.

Personagem saída duma banda desenhada

Pratica corda bamba e gargantais gorgolejos

É preciso estar em forma para futura banhada

E há-de aparecer quem lhe satisfaça os desejos

.

É peça de muito traquejo, este cromo bandarilhado

Em noites de carestia, mostra a cariada dentuça

A todos estende a mão, rebola-se, é educado

Insinuoso e aldrabão com largo sorriso na fuça

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

6|Fevereiro|2009

O LORPA AMINHOCADO

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:30

/2/2009
A noite passada misturei-me com o povoléu

Palmilhei meia dúzia de musicais estaminés

E para espanto meu, como se estivesse no céu

Manquei estiloso penetra mal apoiado nos pés

. 

E o sublime coiro dançava, esganiçado, volátil

Ria, olhava-se a si mesmo, bué, bué de satisfeito

Mostrava sua última conquista picolho portátil

Vestidinho de mulher fatal, de broche ao peito

.

Abichanado casalinho sem peva de cansaço

Em imponente show a que não faltaram beijocas

Algumas demoradas apalpadelas no cachaço

Salutares meiguices de viscosas minhocas

.

Mas eis que chega a toda a brida rival acarecado.

Bacharel em negócios de brancura suspeita

Bravata, ameaça, salteia, sente-se afrontado

Perdido em ciúmes, magoado com a desfeita

.

Temente a Deus, espírito calmo, ameno e pacífico

De  rabo entre pernas esgueira-se o nosso conquistador

Balbuciando “bo note”, com tremido ar beatífico

Ciente de que continua um grande e respeitável senhor

. 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

7|Fevereiro|2009

A BUCHA PRÓ BUCHO DO BRUXO

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:26




Bruxo, curandeiro, adivinho, ocultista

Xamã, mago, mágico, astrólogo, espiritista…

De longa túnica ou febril barba em desatino

Ele movia o mundo com o seu dom divino

.

Consultório montado em velha cavalariça

De secretária atendia sem pingo de cobiça

Os pobres e desgraçados em busca de cura

Que procuravam tão sabida cavalgadura

.

Por detrás da porta de entrada, a um canto

Uma vassoura ao contrário fazia fiel guarda

Nas paredes santinhos e santinhas, um encanto

Onde a esperança ritual crescia em barda

.

Curava males d’amor, desenganados, doentes

Para tudo tinha solução certa, divinos preceitos

Até para do desencarne chamar os ausentes

Há mais de uma eternidade em pó desfeitos

.

Com chás e mezinhas e rezas sobrenaturais

Sinais de cruz e outras benzeduras iguais

Tudo coisas com muito suor e esforço mental

Assim ganhava prá bucha o inútil animal.

. 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

8|Fevereiro|2009

OS TREMELIQUES DO FACADAS

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:22

Ninguém sabe se o rapaz nasceu

Se já estava de há muito inventado

A verdade, meus senhores, é que cresceu

Cresceu, devidamente abençoado


De calções a tocar os joelhos

Sacola laranja de livros abundante

Protegido por liceais conselhos

Fez estudos em ritmo alucinante


Depressa se tornou doutor

Esgrimia o canudo como espada

Sentia-se já no mundo como mentor

De quilo e meio de fiel macacada


Por dó deram a mão à criatura

Ajudando-a a subir difíceis degraus

Num ápice retribuiu com mordedura

Com calhaus, entrevistas, pedras e paus


De conversa cheirosa, luzidia

Tornou-se fino bajulador

A todos foi enganando até que um dia

Calhou a vez a um certo doutor


A sua teia de aranha venenosa

Novas presas atraiu num instante

Alimentando-lhe a ambição fogosa

De ser gente conhecida e importante


Convencido da sua real importância

Com recheada conta bancária sonha

E é tão desmedida a cega ganância

Que lhe pinta de rosa a carantonha


Deram-lhe palco de aboletamento

Lugar cativo em quase governação

Baptizaram de Facadas o jumento

Futuro salvador desta Nação


FERNANDO MANUEL PEREIRA

A MURALHA DO TEMPO

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:10

a

  

Descem estrelas acariciando teu rosto

Sereno de olhar terno, repousam no fundo azul

Deste mar quase imenso de que tanto gosto

E que à noite ruma meus sonhos até ao sul

Lugar de onde vieste e onde estás

Formosa como que esculpida em suave ventania

Agitando de mansinho meu pensamento voraz

Nascido nas ondas com que enfeito este dia

No tear íntimo onde confecciono instantes

Nostálgicos, entrelaçados com beijos e carinhos

Uns esquecidos, outros nostalgicamente errantes

Nas encruzilhadas de todos os caminhos

Aceno-te com gestos onde o perfume de canela

Acaricia tua memória, como se o céu fosse segredo

Escondido para sempre no bojo da caravela

Que transportou meu coração para cruel degredo

Não acredito que não oiças meu amor sussurrado

Mesmo que te tenham construído um palácio amuralhado

.

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

O INTELECTUAL DA XEPA

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:08

Quando as galinhas dentes tiverem

E os ovos se acumularem no olho do cú

Quando as baratas em festança corroerem

Pensamentos de caca que coleccionas no baú

.

 

Talvez te diga com amável deferência

"És um filósofo urbano de fina cepa

Empinas-te e falas sem cheiro a bolorência

Vestidinho com fatiotas made in Xepa"

.

 

Preferes chá de tília e bolachinhas de mel

Recusas a inspiradora e rude aguardente

Pareces puta séria em concorrido bordel

A quem nunca malandreco pôs o dente

.

 

Conheço-te bem, meu caro amigalhaço

Não me lixas com elogios de loja de trezentos

Não passas de um reles e carcomido calhamaço

Sem vergonha ou pinga de elementares sentimentos

.

 

Tanto bates de raiva no peito engravatado

Como bajulas caninamente instituídos poderes

À muito que deixas-te o competente aprendizado

És oficial do tacho com canudo e cem colheres

.

 

Vejo-te já equipado a preceito no próximo Carnaval

Em vermelha carroça apunicada e com cara de erudito

E dependurado do pescoço sugestivo letreiro triunfal

Onde se lê: "cá vou eu, quase deus e dono do infinito"

 

ADOÇANTE CRIATURA (1)

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:01

Persistente aspirante a chulo

O grosseiro mentecapto vaidoso

Usa o anonimato como casulo

Para cobarde vómito mafioso 

.

Limpador de punicada de bordel

Coleccionador de usados preservativos

Lava panos como bichona de aluguel

Enquanto ensaia meneios atractivos 

.

Lava a bocarra com gel lubrificante

Utiliza o vibrador como escova

Não é gay é paneleiro aberrante

Papel higiénico de alarve alcova 

.

De putas e congéneres alcaiote

Espreita os quartos do putanhal barraco

Em busca de avantajado lingote

Que lhe preencha o cagativo buraco

. 

É filhinho da puta, o idiota crocante

Intriguista e invejoso dizendo-se amigo

Um contumaz endividado e meliante



Que só tem olhos para o próprio umbigo.

 

.

ADOÇANTE CRIATURA (2)

.


Papa-almoços de sorriso renascença

Não enjeita suculento, carnal petisco

Á fava a tripalhada, celestial crença

De ter sido escolhido para farisco

. 

Frequenta cheiroso cabeleireiro afamado

Azeitona a pintelhada cabeleira poluente

Pisa devagar, gingão e encavalitado

Na pele e osso dum manequim com ar de gente 

.

Cospe palavras em rascas sessões colturais

Saiem-lhe da boquinha da cabra as caganitas 

É pateta embrulhado em rasqueiros aventais

Estrela pisca-pisca de badalhocas fitas

. 

E se diz saído de linhagem afidalgada

Com tradição de cheira cus brasonados

Aperaltado em colorida traparia fiada

Procura fugir ao destino dos invertebrados

. 

Em delirante estado de graça, o farsante

Acobarda-se no anonimato, por apetência

Verdadeiro traje com que encobre o aberrante
Pardieiro chocalhante da sua real existência

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

DE LUGAR NENHUM, UM DIA

poesiasempreemluta — 09-04-2008 GTM 1 @ 17:58

deusaaosol.bmp 

.

na tua vista a minha espelhada

horizonte sem brisas flor do dia

surgida da noite como rio silencioso

por entre nuvens negadas à melodia

 .

no tombadilho ressoam turbilhões

contam-se contos escondem-se fadas

lendas antigas à flor-da-pele

memórias de metáforas desalinhadas

 .

na tua vista a minha vista espelhada

pousa esta paixão sem altares  ou portos

na pele do desejo com algemas de lua

por entre horas atadas em beijos loucos

 .

um dia sei que os voos de longe

vão no meu sonho ficar pousados

como escravos entre escombros

nas prisões dos calendários apagados

 .

sem receio dos cânticos das sereias

vozes trazem-te como das fadas o gosto  

nesta invenção de um pôr-de-sol só meu

que jamais se espelhará em teu rosto.

 


9|ABRIL|2008 

 .

FERNANDO MANUEL PEREIRA

TUDO O MAIS É PREVISÍVEL

poesiasempreemluta — 03-04-2008 GTM 1 @ 14:57

monges.jpg

Trazem nos olhos as revoltas dos países colonizados

pólem salgado de palavras invulgares, salientes, 

reduzidas ao silêncio pelos negros tanques uníssonos,

agitadas na perturbação que desfila de vestes vermelhas,

quilómetros de medos explodindo nos protestos,

numa resistência heróica que sai à rua e denúncia.


 

Sacrifício em nome de ideais e nós calados, silêncios,

fechamos o mundo e ninguém quer ver e sentir, perceber,

o silêncio das minorias agitadas, punhos cerrados, razões,

mantidas na ordem pelo poder da bala, intimidação e sangue

e pelo brilho do ouro e do petróleo, apocalipse exultado,

que rasgam bandeiras e oliveiras, culturas e liberdades


 

À jorna cobramos os descampados de berços, forjados,

é lá que os desfiladeiros se apertam à passagem, sequestrados,

sem relatos e sem vítimas formais, tendências desviantes,

a brutalidade vive impregnada  nos instintos da violência

caixote do lixo das almas, réplicas humanas de répteis,

com a ficção transformada em desconhecida realidade.


 

Neste parágrafo interminável quem consegue conviver

pra lá da aparência das coisas que se dissolvem na morte?

FERNANDO MANUEL PEREIRA

3|Abril|2008