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POESIA sempre EM LUTA

Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo.
Gravatar Um Poema, meus Amigos, é a gestão de pequenos consensos e muitas divergências.

Se quiseres escrever-me

OS CAMINHOS

poesiasempreemluta — 10-01-2010 GTM 1 @ 12:53

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O céu é sempre azul, pintado d’esperança

Através dele a vida se prolonga e se alcança

Nos caminhos infinitos, refúgio berço das estrelas

Que em noites de sonho, sonhámos tê-las.

Um olhar, uma terna e simples palavra que conforta

Uma mão estendida que um abraço transporta

Como frescura d’água que acaricia a emoção

De aprender contigo os caminhos do coração. 

Pouco basta, se de nós sair a ternura de viver

Se a teu lado podermos ambos percorrer

Os sons, as cores e as luzes, a palavra renascida

Dando amplo sentido à luz do sol que grita à vida…

Olha à tua volta e vê os Amigos que contigo aqui estão

Hoje somos mil, amanhã de mil a um infinito serão…      

Contigo, Amigo, Irmão, fazemos da amizade eterno laço.

Vem… Há quanto tempo desejamos o teu abraço!...

 

 

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

Janeiro2010

SONHO?

poesiasempreemluta — 10-01-2010 GTM 1 @ 12:43

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Sonho. Corro para ti de braços abertos

Lembrando a tarde que se apagou

Na areia molhada e branca, quase nuvem,

Escrita no sonho que sorria no teu nome,

Minúsculos nossos ventos no céu nocturno,

Canto de palavra madura a quebrar o teu nossos silêncios

Por detrás dos beijos escondidos em cada um de nós. 

Navegamos o olhar pela água desse rio que te traz

E nunca me leva, a dor ressurge, clamo teu corpo

E o vento estremece e arrepia, não incomoda, agita-me,

Leva-me a memória no pulsar da chuva deste instante. 

Já não tenho vontade que o tempo pare,

Assumo o destino dos esquecidos sons,

Lá fora no interior do mundo ninguém nos ouve.

Acordo. Retorno ao primeiro amor, adormeço. Sonho. Sonho?

FERNANDO MANUEL PEREIRA

Janeiro2010

DESTINOS SILVESTRES, O SONHO

poesiasempreemluta — 10-01-2010 GTM 1 @ 12:34

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Não sei se o mundo precisa dos meus sonhos

se são os meus sonhos que buscam o sol felino

despido de vestes e se procriam neste espaço confuso

à vista de senhores e vassalos a rabiscarem destinos

em jogo de cumplicidades, réplicas de imagens

na sombra dos porões e na fúria dos algozes. 

Nesta escravidão nunca extinta, resvala o infinito da noite

confuso novelo do dia-a-dia, táctil ilusão intransponível

empalada nas janelas de onde pedem folhas e olhares

reféns de luas, flutuando no brilho delas, calada estrela

num mundo com muitas vozes cercando o Graal desconhecido

como chicote a estalar no ventre de imaginada dor. 

De mágoas vãs, dantesco turbilhão, refém de mim mesmo

a raiva quase inaudível, indiferença massificada, indistinta

boiando nas vagas sem destino, fóssil, perseguida, espancada,

entardece o choro dos chacais no incêndio da pele

a noite é um segredo que habita no infértil retorno

ao longo do qual um gesto entardece neste limite de sonhar. 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

Janeiro2010

ENTRE O MAR E JANEIRO

poesiasempreemluta — 31-12-2009 GTM 1 @ 21:43

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Ontem olhei o mar e pensei

Se seria sensato mergulhar nele

Como vagabundo ou como rei

Ambos disfarçados com a minha pele.

(E sonhei um combate desenhado

A traços de ácido clorídrico

Com gritos de amotinado

E penas de mafarrico.)

Era a tarde de um dia chuvoso

Na avenida desfilavam trabalhadores

Sob o olhar de um deus judicioso

Como presas seguidas por caçadores. 

 .

A voz das ondas era rebelião

Anteparas do tempo e do sexo

A fome e a dor como navalhão

A circuncidar esquecido amplexo.

(Seguro a espuma caída das ondas

Como estandarte afogueado em vento

Cumprindo escrupulosas rondas

Em muralhas ávidas de sustento.)

Hoje olhei o mar e pensei

Vi sombras fugidias envergonhadas

E um som perpétuo que julguei

Ser passos de sereias amortalhadas.  

Não sei se como vagabundo ou como rei

Amanhã vou olhar de novo o mar que olhei… 

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

31Dezembro2009

MONÓLOGO

poesiasempreemluta — 03-07-2009 GTM 1 @ 21:40

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Pimpolho repolho restolho

Em compita parasita grita

Vedeta se deita aleita

Barafusta vocifera altera

 

Banalidades hostilidades

Zurrapa clandestina afina

Raivoso medroso chungoso

 

Não é lapso colapso

É destino no desatino da vida.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

3Julho2009

MANEQUIM EM FULL TIME

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:35

/2/2009
Conhecido pingente de unhas envernizadas

É voluntário protector de púdicas donzelas

Com quilómetros de pilinhas mal contadas

E muitas desditas desenroladas à luz de velas

.

Talvez má sorte na escolha dos amantes

Ou tão-só truca-truca não dado a preceito

Também desencanto de marmelados instantes

Certamente conta bancária com pouco jeito

.

Eis as ingénuas beldades educadas em convento

Tristes chorosas em desabafos com muito tino

A que o nosso bufarinheiro de ouvido atento

Procura logo amenizar o ruim triste destino

.

Junta-se a lama com a merda, bons parentes

Gavetão de puta com sanguessuga de engate

Uma parelha transcendente de penduras carentes

Qual dos dois o mais qualificado bonifrate

.

Quem o ouve não o leva preso, é gajo sabidão

Sem suor e sem mágoas, rica vida, rico emprego

É a chulice encadernada olhos postos no cifrão

Um santinho oportunista em busca de aconchego

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

6|Fevereiro|2009

.  

O PART TIME DO MANEQUIM

.

Quando lhe toca a pagar, sente-se mal da barriga

Dá à sola o saltitão, não por falta de carroço,

Tem um poço de petróleo, o Papa que o diga                         

É porque lhe caiu mal a lagosta ao almoç

.

. Narinas bem treinadas em andanças sociais

Assim que papas e bolos cruzam o seu percurso

Ala rapaz que se faz tarde, confia nos sinais

Vai ser um grande dia e talvez botes discurso

.

Quando a ilustre criatura passeia toda engomada

Pelas ruas da cidade, o espanto ri-se de esguelha

Ouvem-se anjinhos a cantar em alegre revoada

E decreta-se no paraíso dia santo de orelha

.

Personagem saída duma banda desenhada

Pratica corda bamba e gargantais gorgolejos

É preciso estar em forma para futura banhada

E há-de aparecer quem lhe satisfaça os desejos

.

É peça de muito traquejo, este cromo bandarilhado

Em noites de carestia, mostra a cariada dentuça

A todos estende a mão, rebola-se, é educado

Insinuoso e aldrabão com largo sorriso na fuça

.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

6|Fevereiro|2009

O LORPA AMINHOCADO

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:30

/2/2009
A noite passada misturei-me com o povoléu

Palmilhei meia dúzia de musicais estaminés

E para espanto meu, como se estivesse no céu

Manquei estiloso penetra mal apoiado nos pés

. 

E o sublime coiro dançava, esganiçado, volátil

Ria, olhava-se a si mesmo, bué, bué de satisfeito

Mostrava sua última conquista picolho portátil

Vestidinho de mulher fatal, de broche ao peito

.

Abichanado casalinho sem peva de cansaço

Em imponente show a que não faltaram beijocas

Algumas demoradas apalpadelas no cachaço

Salutares meiguices de viscosas minhocas

.

Mas eis que chega a toda a brida rival acarecado.

Bacharel em negócios de brancura suspeita

Bravata, ameaça, salteia, sente-se afrontado

Perdido em ciúmes, magoado com a desfeita

.

Temente a Deus, espírito calmo, ameno e pacífico

De  rabo entre pernas esgueira-se o nosso conquistador

Balbuciando “bo note”, com tremido ar beatífico

Ciente de que continua um grande e respeitável senhor

. 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

7|Fevereiro|2009

A BUCHA PRÓ BUCHO DO BRUXO

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:26




Bruxo, curandeiro, adivinho, ocultista

Xamã, mago, mágico, astrólogo, espiritista…

De longa túnica ou febril barba em desatino

Ele movia o mundo com o seu dom divino

.

Consultório montado em velha cavalariça

De secretária atendia sem pingo de cobiça

Os pobres e desgraçados em busca de cura

Que procuravam tão sabida cavalgadura

.

Por detrás da porta de entrada, a um canto

Uma vassoura ao contrário fazia fiel guarda

Nas paredes santinhos e santinhas, um encanto

Onde a esperança ritual crescia em barda

.

Curava males d’amor, desenganados, doentes

Para tudo tinha solução certa, divinos preceitos

Até para do desencarne chamar os ausentes

Há mais de uma eternidade em pó desfeitos

.

Com chás e mezinhas e rezas sobrenaturais

Sinais de cruz e outras benzeduras iguais

Tudo coisas com muito suor e esforço mental

Assim ganhava prá bucha o inútil animal.

. 

FERNANDO MANUEL PEREIRA

.

8|Fevereiro|2009

OS TREMELIQUES DO FACADAS

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:22

Ninguém sabe se o rapaz nasceu

Se já estava de há muito inventado

A verdade, meus senhores, é que cresceu

Cresceu, devidamente abençoado


De calções a tocar os joelhos

Sacola laranja de livros abundante

Protegido por liceais conselhos

Fez estudos em ritmo alucinante


Depressa se tornou doutor

Esgrimia o canudo como espada

Sentia-se já no mundo como mentor

De quilo e meio de fiel macacada


Por dó deram a mão à criatura

Ajudando-a a subir difíceis degraus

Num ápice retribuiu com mordedura

Com calhaus, entrevistas, pedras e paus


De conversa cheirosa, luzidia

Tornou-se fino bajulador

A todos foi enganando até que um dia

Calhou a vez a um certo doutor


A sua teia de aranha venenosa

Novas presas atraiu num instante

Alimentando-lhe a ambição fogosa

De ser gente conhecida e importante


Convencido da sua real importância

Com recheada conta bancária sonha

E é tão desmedida a cega ganância

Que lhe pinta de rosa a carantonha


Deram-lhe palco de aboletamento

Lugar cativo em quase governação

Baptizaram de Facadas o jumento

Futuro salvador desta Nação


FERNANDO MANUEL PEREIRA

A MURALHA DO TEMPO

poesiasempreemluta — 27-06-2009 GTM 1 @ 20:10

a

  

Descem estrelas acariciando teu rosto

Sereno de olhar terno, repousam no fundo azul

Deste mar quase imenso de que tanto gosto

E que à noite ruma meus sonhos até ao sul

Lugar de onde vieste e onde estás

Formosa como que esculpida em suave ventania

Agitando de mansinho meu pensamento voraz

Nascido nas ondas com que enfeito este dia

No tear íntimo onde confecciono instantes

Nostálgicos, entrelaçados com beijos e carinhos

Uns esquecidos, outros nostalgicamente errantes

Nas encruzilhadas de todos os caminhos

Aceno-te com gestos onde o perfume de canela

Acaricia tua memória, como se o céu fosse segredo

Escondido para sempre no bojo da caravela

Que transportou meu coração para cruel degredo

Não acredito que não oiças meu amor sussurrado

Mesmo que te tenham construído um palácio amuralhado

.

 

FERNANDO MANUEL PEREIRA